quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Palmira - in Memoriam fotográfico

Como disse no post anterior, há uns anos tive a grato prazer de ir com o meu querido amigo Francisco Moura a Palmira.
         
Foi uma viagem sobre a qual muito teria a dizer. Fá-lo-ei em breve, neste mesmo sítio.
             
Mas agora fico pela reportagem fotográfica, pelo que de material se terá perdido nas últimas semanas às mãos dos terroristas inqualificáveis.
             
               
No topo da colina, um forte medieval que domina a paisagem.
Cheguei ao fim do dia:




                   
                     
Lá em baixo, a cidade... a moderna e, em pleno diálogo, mesmo ao lado, a antiga, notando-se a via central do urbanismo romano, o cardo:


             
          Desci, era noite. 
A iluminação das principais artérias romanas deixava qualquer um num estado de êxtase.






                         
Os edifícios da necrópole romana no Vale dos Túmulos terão sido, há mais de um mês, os primeiros a terem sido destruídos.
Estavam muito bem conservados.
Nas imediações da cidade, no deserto, era uma paisagem única, estes esguios edifícios plantados na areia.
As 10 primeiras imagens deste grupo são da Torre de Elahbel, então a mais bem conservada, erigida entre o séc. Ia.C. e I d.C., agora desaparecida.













                       
                           
A cidade antiga....











             
                 
No museu, muito havia para ser visto e estudado...

                 
             
O Templo de Baal Shamin, também já arrasado:



               
               
O Templo de Bel.
O edifício antigo que mais me impressionou e mais me marcou.
Grandioso nas suas dimensões e opulência.

 (edifício central ao grande pátio - o "santo dos santos")
             
 (túnel de entrada dos animais para sacrifício)
     






 

 (esta e as próximas imagens: altares sacrificiais - com dimensões para sacrificar vários bovinos ao mesmo tempo)
         

 (possivelmente, por onde escorreria o sangue)
             



             
           
O "santo dos santos", o centro ritual e sagrado do templo







             
                 
Baixos-relevo junto ao edifício central


 
         
Procissão de entrada no próprio templo:

           
No século II d.C., mulheres de burca...

                   
Recuperando a imagem bíblica, um soldado esmaga com o pé a serpente apocaliptica?



               
Altar de oferendas:







           
O próprio deus Bel?

                 
Assim era Palmira, a que conheci em 2008.






























quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Uma burca plantada em Palmira - In memoriam - 1

              

Há uns anos, cruzei-me com uma imagem que me deixou perplexo:

                     
Longe vão os anos em que com o meu querido amigo Francisco Moura percorri algumas das mais excepcionais cidades da Síria. Algumas não se hoje existem no seu explendor e riqueza patrimonial. Falo, naturalmente, de Damasco, mas também de Alepo ou da mítica Ugarit onde foi inventada a escrita alfabética com que escrevo.
                
Hoje, no final de Agosto de 2015, parece certo que os terroristas, os criminosos, do auto-proclamado Estado Islâmico terão destruído já vários importantes monumentos dessa mítica cidade. Deles aqui darei conta nos próximos dias.
            
Mas hoje começo por uma ironia. Sim, a cidade que tanto irrita os terroristas tem uma das marcas mais antigas do uso de véu total feminino. Ironicamente, e dificil de digerir opara as mentes radicais desse grupo de criminosos, imagine-se que o baixo-relevo a que me refiro não está em contexto islãmico, mas muito mais antigo, na porta do Templo de Bel... um deus do panteão politeista.
               
Não pretendo desculpar, ou culpar, nada, e muito menos atrair polémicas. Mas é significativo este exemplo para nos mostrar como as tradições são um aspecto importante da chamada Longa Duração.
                            
Não há nada de novo no facto de muitas muçulmanas se cobrirem totalmente... repetem o gesto e o hábito com mais de 2.000 anos. Quem diria que os fundamentalistas que defendem o uso da burca apenas estão a fomentar a repetição da forma como se vestiam as mulheres ao entrar no Templo de Baal... Ironias da Longa Duração.
               
Vejamos esse baixo-relêvo da entrada do Templo de Bel, em Palmira.
              
Cortejo de entrada no templo - possivelmente, séc. II
(eventualmente já destruída)
Cerca de meio milénio antes do nascimento do Islão
foto de Paulo Mendes Pinto - 2007