Na imensidão que o olhar nem sequer consegue abranger, a
paisagem deste além-Tejo, pré-Algarve, torna-se quase absurda de contrastes e
de sensações tão opostas que provoca. Diz a forma como as gentes vão criando as
palavras e as expressões, que esta é a “auto-estrada do Algarve”. É verdade que
sim, que o é, mas este é o caminho do nosso reencontro com a calma, com a
fluidez da paisagem que se frui, com a languidez que é desejo de ficar.
Tudo nos impele a ir mais depressa. Contudo fica sempre no
viajante a vontade de parar, de ver melhor aquele pormenor porque, afinal,
aquela paisagem é monótona, mas é tão rica no despertar dos sentidos, que
ficaríamos longamente a ouvir essa harmonia de cores, de saberes, de sabores.
É assim, o Alentejo, as suas planícies, as suas estradas e
caminhos. Num perder de vista parece ser tudo igual. Num olhar descuidado,
perdemos o controle do preconceito e ligamo-nos para sempre a esta terra
milenar onde cada torrão de terra já viu passarem cavaleiros e cruzados,
padres, rabis e imãs, filósofos, mercadores e saltimbancos.
É simples misturar os opostos. Basta uma pitada de sal, um
pouco de coentros, e deixar o ambiente fazer o resto.
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